Logo JF Consultoria Empresarial JF Consultoria Empresarial
Diagnóstico Financeiro

Gestão financeira para pequenas empresas: os 6 pilares na prática

O método que uso com os meus clientes, resumido em 6 passos e aplicado a uma loja que compra e revende. Com números, sem jargão.

Por Júlio Freitas, administrador e contador Publicado em 27/10/2026 Leitura de 8 minutos

Resposta rápida: a gestão financeira de uma pequena empresa se apoia em 6 pilares, nesta ordem: 1) separar o dinheiro da empresa do dinheiro do dono, 2) registrar tudo o que entra e sai, 3) analisar os números, 4) precificar corretamente, 5) planejar com metas e 6) ter uma reserva financeira. Cada pilar depende do anterior. Pular etapas é o motivo mais comum de empresas que vendem bem e mesmo assim vivem sem dinheiro.

Empreender no Brasil é lidar ao mesmo tempo com vendas, fornecedores, funcionários, estoque, impostos, inadimplência e clientes. No meio disso tudo, as finanças costumam ficar para depois. E é aí que mora o problema: em mais de 500 empresas atendidas, a maioria não quebrou por falta de venda, e sim por falta de gestão.

Para mostrar cada pilar na prática, vou usar uma loja de eletrônicos que compra fones de ouvido de um fornecedor e revende. É uma empresa fictícia, com números simulados, mas a situação é a de muitos clientes que acompanho.

Os 6 pilares da gestão financeira em resumo

#PilarA pergunta que ele responde
1Separação PF x PJEsse dinheiro é da empresa ou meu?
2Controles financeirosQuanto entrou e quanto saiu, centavo por centavo?
3Análise financeiraA empresa dá lucro? Para onde vai o dinheiro?
4PrecificaçãoMeu preço paga tudo e ainda deixa lucro?
5Planejamento financeiroQuanto preciso vender para chegar aonde quero?
6Segurança financeiraA empresa aguenta um imprevisto?

Pilar 1: separação PF x PJ

O dinheiro que entra na empresa serve para manter o negócio saudável, crescer e gerar lucro no futuro. Ele não é a sua carteira. Quando tudo se mistura, os problemas aparecem rápido:

Como fazer a separação

  1. Tenha contas bancárias diferentes para a empresa e para você.
  2. Defina um pró-labore fixo e mensal, compatível com o que a empresa gera.
  3. Defina uma data para receber esse valor, como qualquer funcionário.
  4. Mantenha-se com o seu pró-labore. É a parte mais difícil, e a mais importante.

Pilar 2: controles financeiros

Registre cada centavo que entra e sai do caixa, com data, categoria, descrição, valor e origem. Sem controle, a empresa erra no preço, gasta além da conta, não enxerga onde melhorar e não sabe se está tendo lucro ou prejuízo.

A rotina que recomendo é simples: lançar todos os dias, conferir com o extrato do banco toda semana e fechar o mês até o dia 5 do mês seguinte. Uma planilha bem estruturada já resolve. O que faz diferença é a constância.

Faturamento é ego, lucro é conceito e caixa é rei. Vender muito não adianta se não sobra dinheiro no fim do mês.

Pilar 3: análise financeira

Análise financeira é enxergar, a partir dos controles, o que está acontecendo com o negócio. Ela precisa ser simples e responder a três perguntas: quanto vendi, quanto saiu e quanto sobrou?

Exemplo ilustrativo da loja de fones, com números simulados.

O que aconteceu no mêsValor
VendasR$ 60.000
Compra de mercadoriasR$ 31.000
Impostos, comissões e taxa de cartãoR$ 8.400
Gastos fixos (aluguel, salários, pró-labore, contador, energia)R$ 12.000
Parcela de equipamentoR$ 3.000
Retiradas do dono além do pró-laboreR$ 4.000
Total que saiuR$ 58.400
Dinheiro que sobrouR$ 1.600

A loja vendeu R$ 60 mil e sobraram R$ 1.600. A operação até gerou R$ 8.600 depois de pagar mercadorias, gastos variáveis e fixos. Mas a parcela do equipamento e as retiradas extras levaram R$ 7.000. Repare que as retiradas extras são um problema do Pilar 1 aparecendo no caixa.

Com esses números, dá para calcular dois indicadores importantes:

Se quiser ver essa análise mais a fundo, com ranking de gastos, leia por que a empresa fatura e não sobra dinheiro.

Pilar 4: precificação

O preço precisa cobrir quatro coisas: gastos variáveis, gastos fixos, investimento e lucro. Copiar o concorrente ou colocar um percentual em cima do custo ignora a estrutura da sua empresa. Para quem compra e revende, o caminho é o markup, em 6 passos.

1. Calcule a média das vendas

Use pelo menos os últimos 3 meses. Na loja: R$ 55.000, R$ 60.000 e R$ 65.000, média de R$ 60.000.

2. Calcule a média dos gastos fixos

Aluguel, salários, pró-labore, contador, energia, internet e sistema somam R$ 12.000 por mês. Sobre a média de vendas, a estrutura pesa 20% (R$ 12.000 ÷ R$ 60.000).

3. Identifique o custo do produto

Na revenda, é o valor pago ao fornecedor mais o frete da compra. O fone custa R$ 110,00 e o frete por unidade sai R$ 10,00: custo de R$ 120,00. Use sempre a última nota fiscal de compra.

4. Some os demais percentuais

Percentuais sobre o preço de venda%
Impostos (Simples Nacional)6%
Comissão do vendedor5%
Taxa de cartão3%
Investimento5%
Gastos fixos20%
Lucro desejado10%
Soma49%

5. Calcule o markup

Markup = 100 ÷ (100 − 49) = 1,9608 Fórmula: Markup = 100 ÷ (100 − soma dos percentuais)

6. Calcule o preço e tire a prova

Preço de venda = R$ 120,00 × 1,9608 = R$ 235,29. Abrindo o preço, cada parte tem o seu destino:

Venda de R$ 235,29%Valor
Impostos6%R$ 14,12
Comissão5%R$ 11,76
Taxa de cartão3%R$ 7,06
Investimento5%R$ 11,76
Gastos fixos20%R$ 47,06
Lucro10%R$ 23,53
Reposição do fone (fornecedor + frete)51%R$ 120,00
Total100%R$ 235,29

E se o dono usasse o "custo + 50%"? R$ 120,00 + 50% = R$ 180,00. Só impostos, comissão, cartão e gastos fixos (34%) levam R$ 61,20. Sobram R$ 118,80, menos do que o fone custou. Prejuízo de R$ 1,20 em cada venda, e quanto mais vende, mais perde.

Calcule o preço dos seus produtos: coloque os seus números na calculadora de markup grátis. Ela mostra o markup, o preço de venda e para onde vai cada real.

Abrir a calculadora de markup

Preço também é valor percebido

Precificar exige estratégia. Depois de calcular, compare com o mercado. Se o preço ficar acima, antes de cortar o lucro, trabalhe o que faz o cliente aceitar pagar mais: apresentação do produto, atendimento cordial e transparente, pós-venda (perguntar se o cliente ficou satisfeito e pedir avaliação) e um marketing que mostre o valor do que você vende.

Pilar 5: planejamento financeiro

Aqui você define metas alcançáveis, mas desafiadoras, respondendo: o quê, por quê, quem, quanto, como, quando e onde. Com os números dos pilares anteriores, a meta deixa de ser chute.

Na loja, se o dono quer R$ 6.000 de lucro operacional por mês, a conta é: (gastos fixos + lucro desejado) ÷ margem de contribuição = (R$ 12.000 + R$ 6.000) ÷ 34,33% = R$ 52.427,18 de faturamento por mês. Com esse número, ele divide a meta por vendedor, por semana e por produto, e acompanha todo mês o previsto contra o realizado.

Pilar 6: segurança financeira

Toda empresa precisa de uma reserva de pelo menos 3 meses de gastos fixos, para imprevistos ou oportunidades. Esse dinheiro só pode ser usado em último caso.

Na loja: R$ 12.000 × 3 = R$ 36.000. Separando 30% de um lucro de R$ 6.000 (R$ 1.800 por mês), a reserva fica pronta em 20 meses. A segurança financeira é consequência dos outros pilares: sem separação, controle e preço certo, não há lucro para guardar.

Serviço relacionado

Diagnóstico Financeiro JF

Avaliamos a sua empresa nos 6 pilares, mostramos onde ela está perdendo dinheiro e o que corrigir primeiro. Você sai com um plano de ação baseado nos seus números, não no achismo.

Conhecer o Diagnóstico Financeiro →

Perguntas frequentes

O que é gestão financeira de uma pequena empresa?

É ter os números do negócio organizados de forma clara para tomar decisões: quanto entrou, quanto saiu, quanto sobrou, se o preço dá lucro e quanto a empresa precisa vender. Não é só pagar contas: é saber para onde vai o dinheiro e decidir com base nisso.

Quais são os 6 pilares da gestão financeira?

Separação entre pessoa física e jurídica, controles financeiros, análise financeira, precificação, planejamento financeiro e segurança financeira. Eles devem ser implantados nessa ordem, porque cada um depende do anterior.

Por onde começar a organizar as finanças da empresa?

Separando o dinheiro da empresa do dinheiro do dono: contas bancárias diferentes e um pró-labore fixo, com data definida. Depois, registrando todas as entradas e saídas. Sem esses dois passos, qualquer análise ou preço fica baseado em números misturados.

Como calcular o preço de venda de um produto de revenda?

Some os percentuais que saem de cada venda (impostos, comissão, taxa de cartão, investimento, gastos fixos e lucro), calcule o markup pela fórmula 100 ÷ (100 − soma dos percentuais) e multiplique pelo custo do produto. A JF disponibiliza uma calculadora de markup gratuita no blog.

Quanto de reserva financeira a empresa deve ter?

Pelo menos 3 meses de gastos fixos, guardados em aplicação de baixo risco e com resgate imediato. A reserva é formada separando todo mês uma parte do lucro e só deve ser usada em último caso.

Em qual pilar a sua empresa está perdendo dinheiro?

Fale com a JF e descubra por onde começar. O primeiro contato é pelo WhatsApp, sem compromisso.

Falar no WhatsApp